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Muita gente desconhece

Ontem recebemos o dv-cam de "João do Vale, muita gente desconhece", que já esperávamos com ansiedade pra colocar na programação, pois a cópia em dvd que havíamos recebido estava com problemas e não teve como ir ao ar no dia programado. Ah, que vontade de ver logo esse filme! Como lá em casa não consigo sintonizar a TV Câmara, vou ver se consigo ver por aqui, mas...ainda não sei direito como essas coisas funcionam, se eu posso sentar no equipamento na cara-dura, e assistir ao filme...

Fiquei me lembrando da sua biografia, que li esse ano, "Pisa na fulô mas não maltrata o carcará". E mais uma vez, vou ao google ver se alguém já se dignou a fazer um site sobre sua vida, sua obra. Ainda não. Achei uma Fundação João do Vale, onde algumas músicas podem ser ouvidas, mas fora isso, só havia notícias de concursos, e não consegui saber do que se trata essa fundação. Na Secretaria de Cultura do Maranhão, há notícia sobre o lançamento do cd do Tião Carvalho, Tião canta João. Mas muito pouca coisa sobre o homenageado.

Realmente, desse jeito muita gente continuará desconhecendo esse grande brasileiro, nordestino, homem, compositor. Pouco estudo, mas muita ciência da vida, do seu nordeste, do seu país e do seu povo. Tal como tantos outros nordestinos, saiu de sua terra ainda muito novo, em busca de outra vida, outras oportunidades. Perambulou pelo país e fez de um tudo, até chegar ao Rio, onde foi ser "peão" de obra, vida muito difícil. Mas, já com algumas composições, ia a programas de rádio, e assim foi se enturmando, mostrando seu trabalho, e começou a ser gravado, a conviver e também a trabalhar com arte. Até cinema o danado fez, e também tentou se aventurar no futebol, mas como jogador ele era um ótimo compositor...

Sua vida e seu trabalho são de uma riqueza, uma beleza...coisas simples, fortes e belas, tal como as coisas de sua terra. E muita gente percebeu e se encantou com sua beleza e simplicidade, desde artistas populares a bossa-novistas. Lembro de uma parte do livro em que eu quis muito fazer parte daquela época, daquela coisa toda, e ficava me transportando mentalmente para o Forró Forrado, evento semanal em que João do Vale tocava e recebia convidados como Clara Nunes, Chico, Elba, dentre tantos outros que agora não me lembro com certeza. Era forró a noite toda, regado a muita cachaça, como ainda hoje fazemos...também quis estar presente no show Opinião, e em tantos outros momentos...

Não lembro nem encontrei a data correta na internet, mas há dez anos morria João do Vale. Doente, pobre...se bem me lembro do que li, ele quis morrer em Pedreiras. Ah, essa minha memória...lembro que ele foi pra lá já bem doente, mas chegou a voltar ao Rio, convencido por amigos a se tratar num lugar com mais infraestrutura, perto da esposa e filhos, e agora não lembro se chegou a voltar a Pedreiras. Muitas músicas se perderam quando ele ficou doente, pois não as anotava, estava tudo na cabeça. Com o derrame, muita coisa ficou esquecida, perdida, e só o que havia sido gravado nos foi dado conhecer, apreciar, aprender com.

"A aranha tece

puxando o fio da teia

a ciência da abeia

da aranha e a minha

muita gente desconhece"

Ah, no site da Jovem Pan há trechos de uma entrevista do João do Vale! Não consegui escutar, estou sem meus fones...mas semana que vem vou trazê-los pra cá!!!



Escrito por Diths às 11h39
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Doações e heranças

Sempre adorei ganhar roupas, fossem elas novas ou usadas. Quando mais nova, era mais frequente as minhas roupas serem herdadas por minha irmã caçula (isso geralmente acontecia depois de muita confusão). Algumas vezes, ela as pegava escondido, e só quando eu queria usar algo é que dava pela falta. Nem sempre consegui recuperar os frutos desses "empréstimos". Era difícil herdar algo de uma prima ou amiga. Primas eu não tinha nenhuma por perto, e amigas...bem, elas costumavam ser menores/mais novas que eu, daí nada delas cabia em mim.

Quando eu era mais nova, esse ganhar de roupas tinha outra conotação. Meus pais não podiam comprar roupas sempre, geralmente isso só acontecia no final do ano (roupas pro Natal e Ano Novo, que se repetiam o resto do ano! rs). Então, era uma alegria ganhar uma roupinha que não estivesse associada a essas datas. Não sei dizer se é uma questão cultural. Tentando me lembrar agora, acho que essas doações a amigas eram mais comuns quando eu morava no nordeste. Bom, não dá pra confiar muito na minha memória. Mas minha irmã também é assim, e sempre que vou ao Rio ela quer saber se não levei nada pra ela, e é de roupas minhas que ela está falando quando pergunta! Talvez a roupa de uma amiga que a gente ganha tenha uma conotação diferente mesmo, porque a pessoa escolheu aquela roupa, gostava, usava...e de repente nos dá! Então acho que é mais do que uma roupa, é um pouco dela também, do seu carinho...

Quando morei em república com amigas, era uma confusão quando alguma se dignava a fazer uma geral no guarda-roupa! Todas as outras que estavam em casa naquele momento paravam o que faziam pra vir escolher alguma coisa, dentre o que estava sendo descartado pela dona....ou entre o que não estava sendo descartado também. E quando víamos, estávamos duas ou três separando o que não usávamos mais, o que queríamos trocar, disputando as roupas mais legais. Divertido demais!

Esse fim de semana relembrei essa sensação, em parte. Wal estava com o guarda-roupas atolado, gavetas e portas mal se fechavam. E eu falei que aquilo era roupa sobrando, precisava fazer doações. Não falei a sério, até porque quando em vez ela me faz umas doações maravilhosas, não achei mesmo que fosse hora de mais uma. Mas quando chego no dia seguinte na sua casa, na cama há um bolo enorme de roupas, tudo pra mim! (Valeu Wal!!) Logo aquele dia, em que fiquei uma hora trocando e destrocando de roupa antes de sair, não me agradando de nada (isso é raro de acontecer comigo!). Ê felicidade! Saias, calças, blusas....a maioria coube em mim, pra minha alegria!! De modo que desde então, estou estreando as doações dela, todos os dias. Algumas coisas não ficaram muito bem, mas ainda vou tentar dar um jeito nisso. Ah, se vou!!

 

 



Escrito por Diths às 13h57
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